paris é aqui (ou não)

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  • I (still) shoot film

    Desde que chegaram, as câmeras digitais se popularizaram muito rápido. Maravilha, podem alcançar a mesma qualidade das analógicas, são mais econômicas (entre filme e revelação gasta-se uns 40 reais, afinal) e, principalmente, não existe mais margem pra erros grotescos. Lembra quando depois de tirar fotos incríveis em uma viagem você descobre que o filme: a) não engatou, logo não girou dentro da câmera; b) saiu todo velado por falta de luz; c) saiu todo fora de foco; ou d) você esqueceu de colocar filme mesmo. Bem, eu já passei por tudo isso.

    E nada disso acontece na digital, a opção automática funciona muito bem e quem quer se aventurar na opção manual pode sempre conferir no visor se a foto saiu certinha. Atualmente, câmeras de 8, 10 megapixels estão com preços amigos e todos podem fazer milhares de fotonas. Na verdade nem usamos todos esses pixeis (abrasileirei!) oferecidos, pois a quantidade de pixeis só importa no tamanho da ampliação e dificilmente fazemos pôsteres com nossas fotos! Acabamos acumulando infinitos CDs e DVDs gravados de fotos e mais fotos… todas iguais.

    A relação que travamos com a fotografia (e o ato de fotografar) mudou completamente com a foto digital. São milhares de fotos que tiramos até uma sair boa: as outras apagamos. Trata-se mais de um registro, não muito pensado. E o resultado disso são imagens padronizadas.

    Pois bem, essa padronização causou um fenômeno recente que tenho presenciado: a volta à fotografia analógica! E seria justamente a possibilidade do erro, do vazamento de luz, do ISO errado, a contraposição a essa padronização. Algo acidental que dê charme para a imagem. E grãos, como não víamos há muito tempo…

    Foto exposta no grupo do Flickr, I Shoot Film.

    De repente estão todos procurando aquela velha câmera Olympus do tio ou aquela Polaróide encostada. Sinal do hype: Lady Gaga foi contratada para ser consultora da marca (lançando uma nova linha de máquinas). Segunda vez que a Lady Gaga aparece aqui pra confirmar tendência!

    Em grupos como Photographic Errors, ainda no Flickr (que afinal é um reduto de fotógrafos), encontramos frequentemente comentários como “não sei de onde veio essa mancha, mas eu gostei!” ou “pra ficar com essa cor estranha usei filme vencido e a lente da câmera mofada”. Sem dúvida detalhes interessantes que não eram apreciados (muito menos desejados) antes da existência da câmera digital! A foto digital massificou tanto a fotografia que despertou a vontade de uma relação menos banal com a imagem.

    O mercado, que de bobo não tem nada, assimilou esse novo desejo rapidamente e criou bizarrices como o relançamento Olympus Pen E-P1 Digital, câmerinha bem cara e com opções de “filtros artísticos”, que simulam as características das analógicas e lomos (borda mais escura, múltipla exposição, cores estouradas, alto contraste, grãos). Conforme a marca descreve, são recursos que servem para causar uma ”presença forte e atmosfera dramática” (momento vergonha alheia). Para entender melhor:

                         

    [À esquerda, efeito fake da Olympus Pen Digital que simula o da direita, original]

                         

    [Acima, uma foto digital com as bordas escurecidas, criando efeito similar às bordas de uma fotografia lomo analógica, como a imagem abaixo]

    Além de câmeras digitais que fingem ser analógicas, onde podemos escolher e ajustar os “acidentes” e “defeitos” de nossas fotos, existem também softwares como o Analogcolor, que a Alix usa para deixar suas fotos digitais com jeito de vintage. Abaixo uma foto sem graça que eu tirei transformada em uma foto très charmant com o tal software:

    Esses efeitos são bastante evidentes neste ensaio que Alix fez de Paris sob a neve… as bordas aparecem propositalmente queimadas em todas as fotos e as cores estão esmaecidas.

    E para quem quer viver a delícia da foto analógica, dois conselhos: comprar uma lomo novinha no Lomography, dando destaque para a Holga com filtros coloridos pra flash. Ou dar um rolê no centro de São Paulo, a rua Conselheiro Chrispiniano está cheeeia de opções usadas e baratinhas, como a própria Olympus Pen (analógica, pelamor). É só verificar se está tudo ok, se a lente não está fungada por exemplo - se bem que isso pode dar uma graça a mais na foto…

    A blogueira Karina, do Sunglassesss, tem uma coleção de câmeras analógicas de babar e está sempre experimentando (foi engraçado acompanhar seu romance com a Holga, no início frustrante mas que depois deu resultados incríveis). Só assim, errando, que se aprende a tirar fotos de verdade.

    Posted on January 29, 2010 with 1 note

    1. vicserte liked this
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